Como funciona a hipnoterapia: entenda o que é, para que serve e como age no cérebro
- Pedro Ivo

- 9 de jul. de 2025
- 4 min de leitura
Introdução: por que entender como funciona a hipnoterapia?
A hipnoterapia tem sido cada vez mais procurada por pessoas em busca de alternativas eficazes para o tratamento de questões emocionais, comportamentais e psicossomáticas. No entanto, apesar de sua crescente popularidade, ainda há muita desinformação e mitos que dificultam a compreensão do que realmente acontece durante uma sessão. Este artigo tem como objetivo esclarecer, com base em evidências científicas e fundamentos técnicos, como funciona a hipnoterapia, explicando desde os mecanismos cerebrais envolvidos até suas aplicações clínicas mais frequentes.

Compreender o funcionamento da hipnoterapia é um passo importante não apenas para desmistificá-la, mas também para permitir que pacientes e profissionais da saúde possam avaliá-la com o rigor e o respeito que uma abordagem séria requer. Ao longo deste conteúdo, você encontrará uma breve análise do estado hipnótico, dos métodos terapêuticos empregados e da base científica que sustenta a prática da hipnose clínica.
O que é hipnoterapia? Definição técnica e escopo de atuação
A hipnoterapia pode ser definida como uma abordagem psicoterapêutica que utiliza a hipnose como ferramenta para facilitar o acesso ao inconsciente e promover mudanças cognitivas, emocionais e comportamentais. Diferente da hipnose de palco ou da caricatura popular, a hipnoterapia clínica é fundamentada em protocolos técnicos, com objetivos terapêuticos claros e conduzida por profissionais qualificados.
Ela pode ser aplicada de forma autônoma ou como método complementar em diferentes áreas da saúde mental, como a psicologia, a psiquiatria e a neuropsicologia. Entre os objetivos da hipnoterapia estão:
Redução de sintomas de ansiedade e estresse;
Ressignificação de traumas e memórias dolorosas;
Controle de dor crônica e sintomas psicossomáticos;
Superação de fobias, medos e compulsões;
Reprogramação de hábitos e comportamentos nocivos (como tabagismo, compulsão alimentar, bruxismo, entre outros).
Como funciona a hipnoterapia do ponto de vista neurofisiológico
O que é o estado hipnótico?
O chamado estado hipnótico é uma condição alterada de consciência caracterizada por alta concentração mental, redução do julgamento crítico e aumento da responsividade a sugestões. Trata-se de um fenômeno natural, semelhante ao estado de absorção que experimentamos ao dirigir no "piloto automático" ou ao nos perdermos em um bom livro.
Do ponto de vista neurológico, a hipnose induz modificações específicas no funcionamento cerebral. Estudos com neuroimagem (como fMRI e PET-scan) demonstram que, durante o transe hipnótico:
Há diminuição da atividade no córtex pré-frontal dorsolateral, associado ao pensamento crítico e análise lógica;
O córtex cingulado anterior se torna mais ativo, o que favorece o foco atencional e a supressão de estímulos irrelevantes;
A conectividade entre o córtex pré-frontal e a ínsula é alterada, permitindo a modulação da percepção corporal e emocional.
Essas alterações explicam por que a hipnoterapia pode ser tão eficaz para acessar conteúdos inconscientes, reduzir reatividade emocional e promover insights e mudanças duradouras.
Etapas de uma sessão de hipnoterapia: estrutura técnica e condução terapêutica
Para compreender plenamente como funciona a hipnoterapia, é fundamental conhecer as etapas que compõem uma sessão. Embora existam variações conforme a abordagem do profissional, a estrutura geral inclui:
1. Anamnese e definição de objetivos
O processo começa com uma escuta clínica detalhada. O hipnoterapeuta coleta informações sobre sintomas, histórico emocional, padrões comportamentais e objetivos terapêuticos do paciente. Essa etapa é essencial para traçar uma estratégia personalizada.
2. Indução hipnótica
São utilizadas técnicas específicas para levar o paciente ao estado de transe. Isso pode incluir sugestões verbais, contagem regressiva, visualizações guiadas, foco na respiração ou fixação de olhar. A indução deve respeitar o ritmo e o estilo cognitivo do indivíduo.
3. Aprofundamento
Após atingir o transe leve, o terapeuta aprofunda o estado hipnótico por meio de sugestões de relaxamento físico e mental, criando uma condição de receptividade interna mais acentuada.
4. Intervenção terapêutica
Nesta etapa, o hipnoterapeuta aplica as técnicas adequadas ao caso, como:
Regressão terapêutica (acesso a memórias significativas);
Dissociação de experiências traumáticas;
Resignificação de crenças limitantes;
Instalação de recursos internos (autoconfiança, segurança, foco);
Sugestões pós-hipnóticas para mudança de comportamento.
5. Emersão
Por fim, o paciente é conduzido de volta ao estado de vigília, integrando as experiências vividas na sessão. É comum que o indivíduo se sinta relaxado, lúcido e emocionalmente reorganizado.
Evidências científicas sobre a eficácia da hipnoterapia
A hipnoterapia já foi objeto de centenas de estudos clínicos, muitos dos quais publicados em periódicos de alto fator de impacto. Meta-análises recentes têm reforçado sua eficácia em contextos como:
Controle de dor: especialmente em fibromialgia, dores oncológicas e pós-operatórias (Montgomery et al., J Natl Cancer Inst, 2007);
Transtornos de ansiedade: com redução significativa de sintomas em comparação a placebo e intervenções cognitivas isoladas (Hammond, Am J Clin Hypn, 2010);
Fobias e TEPT: com resultados superiores aos de terapias baseadas exclusivamente na exposição;
Distúrbios alimentares e compulsivos: onde a hipnoterapia atua na raiz emocional da compulsão.
Além disso, há forte evidência de que a hipnoterapia potencializa outras abordagens terapêuticas, como a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) e a Psicanálise breve, quando integrada de forma ética e técnica.
Conclusão: por que entender como funciona a hipnoterapia é fundamental
Saber como funciona a hipnoterapia não é apenas uma questão de curiosidade. Trata-se de compreender uma abordagem séria, baseada em evidências, com grande potencial de transformação emocional e psíquica. Ao contrário do senso comum, a hipnose clínica não envolve controle externo, mas sim o fortalecimento da autonomia interna.
A hipnoterapia respeita os limites éticos da prática clínica e deve ser conduzida por profissionais capacitados, com conhecimento técnico e sensibilidade para lidar com conteúdos inconscientes. Quando bem conduzido, o processo hipnoterapêutico promove não apenas alívio de sintomas, mas também uma reestruturação profunda da forma como a pessoa se relaciona consigo mesma e com o mundo.
Se você busca um caminho terapêutico que vá além da racionalização e que respeite a complexidade do funcionamento psíquico, a hipnoterapia merece ser considerada com seriedade.








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